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Cabaças que viram arte
em Gouveia

Do fruto ao objeto: criações que reúnem devoção, imaginação, trabalho e referências culturais nas mãos de artesãos de Gouveia.

Dois presépios montados dentro de cabaças abertas e decoradas com estrelas
Presépios em cabaça apresentados na seção dedicada a Ceule do Rosário Brandão. Imagem integrante do inventário de Ronaldo Eustáquio Coelho.
Pesquisa
Ronaldo Eustáquio Coelho
Território
Gouveia, Minas Gerais
Registro
Inventário participativo · 15 a 25/09/2026
O saber inventariado

A fruta que é arte

O inventário de Ronaldo Eustáquio Coelho, intitulado A fruta que é arte; cabaça nossa de cada dia, reúne os fazeres artesanais com cabaças em Gouveia. O documento apresenta peças, relatos e experiências de Ceule do Rosário Brandão, Haroldo Miranda Fagundes e do próprio pesquisador, que também é artesão.

Bonecas, oratórios, presépios, animais, luminárias e objetos utilitários mostram a diversidade das criações. As formas de cada fruto oferecem possibilidades diferentes de trabalho, combinadas com pintura, modelagem e colagem.

O registro aproxima os conhecimentos de preparação da cabaça, os processos de criação e a circulação das peças em lojas e feiras. A atividade envolve artesãos, fornecedores rurais, familiares, comerciantes e pessoas que adquirem ou encomendam os trabalhos.

Pessoas e experiências

Três trajetórias de criação

Ceule do Rosário BrandãoArtesã de Gouveia

Ceule relata trabalhar com cabaças há 22 anos, no período da pesquisa. Produz bonecas, oratórios, pinguins, galinhas, presépios e imagens religiosas. Sua trajetória inclui uma parceria com Haroldo e a participação em feiras de artesanato e em espaços de comercialização.

Na entrevista, descreve a relação com produtores rurais que fornecem as cabaças e com lojistas que recebem as peças. Também conta ter ensinado uma sobrinha, reconhecendo a transmissão entre familiares como uma forma de continuidade do saber.

Haroldo Miranda FagundesArtesão e criador de bonecos e bonecas

Haroldo se apresenta como autodidata e curioso. No relato registrado, afirma produzir há mais de 23 anos e buscar o aperfeiçoamento constante das peças. A personagem Maria Gouveia e referências à história e à cultura da região aparecem em seu trabalho.

Modelagem, pintura e combinação de materiais ajudam a compor figuras e detalhes. Haroldo destaca a importância do artesanato em sua renda e da transmissão do aprendizado a outras pessoas interessadas.

Ronaldo Eustáquio CoelhoPesquisador, produtor cultural e artesão, conhecido como Reusc

Ronaldo conta que começou a trabalhar com cabaças aos treze anos, criando chocalhos, luminárias, ninhos, animais e fruteiras. Mais tarde, na Bahia, aprendeu a fazer berimbaus. A observação das formas dos frutos é uma referência para suas escolhas de criação.

Seus trabalhos combinam aspectos rústicos, cristais, pintura e colagem. Nos instrumentos, ressalta a atenção à sonoridade. Também menciona a ajuda de familiares e a participação em feiras como parte de seu percurso.

Do fruto à peça

Formas que orientam a imaginação

Os relatos registram etapas de obtenção, lavagem, secagem, raspagem ou lixamento das cabaças antes da criação. O plantio e o fornecimento por produtores rurais conectam o artesanato ao trabalho no território.

As peças combinam a cabaça com materiais como biscuit, massa de modelagem, madeira, tecidos, cristais, pó de pedra e imagens em gesso. Colagem, pintura e acabamento compõem diferentes modos de trabalhar o fruto.

Nas obras religiosas, a abertura da cabaça pode acolher imagens e pequenas cenas. Em outros trabalhos, seu volume sugere personagens, animais ou recipientes. Na construção de instrumentos, a forma também participa das possibilidades sonoras.

As experiências reunidas no inventário mostram escolhas próprias de cada artesão. O repertório se transforma pela observação, pela experimentação e pelo contato com outras referências e demandas.

Trabalho e salvaguarda

Feiras, aprendizagem e reconhecimento

Feiras e lojas de Gouveia, Diamantina e outras cidades aparecem nos relatos como espaços de venda, encontro e reconhecimento. Os depoimentos de comerciantes e clientes reunidos no documento também registram o interesse pelas peças.

Os artesãos destacam os custos dos materiais, as dificuldades de comercialização e a necessidade de incentivo. As experiências de renda são diferentes: para alguns, o artesanato é o principal sustento; para outros, integra um conjunto de atividades.

O inventário recomenda cursos, oficinas continuadas e formação de pessoas que possam compartilhar o conhecimento. Despertar o interesse de crianças e jovens e valorizar quem produz são caminhos apontados para que esse fazer continue presente.

Obras do acervo da pesquisa

Galeria de imagens

Seleção das imagens incluídas no inventário. As legendas identificam os trabalhos conforme sua apresentação no documento; não há crédito fotográfico individual indicado para esta seleção.

Sobre este registro

Ficha técnica

Título na pesquisa
A fruta que é arte; cabaça nossa de cada dia
Bem cultural
Fazeres artesanais com cabaças e transformação do fruto em artesanato
Categorias
Saberes, objetos e formas de expressão, conforme o inventário
Território
Gouveia, Minas Gerais
Pesquisa
Ronaldo Eustáquio Coelho
Artesãos apresentados
Ceule do Rosário Brandão, Haroldo Miranda Fagundes e Ronaldo Eustáquio Coelho
Imagens
Reproduzidas do documento da pesquisa; autoria fotográfica individual não indicada
Período da pesquisa
15 a 25 de setembro de 2026

Fontes deste inventário

  • A fruta que é arte; cabaça nossa de cada dia, inventário de Ronaldo Eustáquio Coelho, 2026.
  • Entrevista com Ceule do Rosário Brandão e relatos de Haroldo Miranda Fagundes e Ronaldo Eustáquio Coelho, incluídos no documento.
  • Registros fotográficos e legendas das obras apresentados na pesquisa.

Apresentação organizada a partir do inventário produzido na formação do projeto. Os relatos refletem as experiências registradas naquele período e poderão receber complementações e revisões.