Uma vassoura que guarda histórias
A vassoura de coqueirinho do campo, também chamada de vassourinha de coco, integra os saberes tradicionais da Comunidade Quilombola de Capivari, no município do Serro. A pesquisa de Eni Elizabete Marques Ribeiro apresenta sua confecção artesanal e os vínculos desse fazer com a vida cotidiana.
Folhas e fibras vegetais se transformam em um objeto usado na limpeza das casas, dos quintais e dos fornos de biscoito a lenha. A escolha dos materiais, o preparo das fibras, a amarração e o tecido da vassoura dependem de conhecimentos aprendidos pela observação e pela prática.
O inventário reconhece nesse objeto uma referência de memória, trabalho e pertencimento. Sua história aproxima o território, as relações entre famílias e o protagonismo das mulheres na transmissão dos saberes.
Pelas trilhas, levando o sustento
Segundo a memória reunida na pesquisa, enquanto os homens trabalhavam no garimpo, as mulheres de Capivari confeccionavam vassouras e as levavam a pé para vender em São Gonçalo do Rio das Pedras e Santo Antônio do Itambé.
Os caminhos percorridos eram as antigas trilhas dos tropeiros. As vendas ganhavam importância nas épocas de festas, no Natal e no fim do ano, contribuindo para a compra de roupas e de outros produtos para as famílias.
Não se sabe ao certo quando começou a produção das vassouras na comunidade. A continuidade desse fazer é apresentada pela pesquisadora a partir da aprendizagem entre gerações e das lembranças das viagens, do comércio e do trabalho das mulheres.
Das folhas ao tecido da vassoura
O processo descrito começa com a escolha e a coleta das folhas do coqueirinho do campo. A casca da embira fornece fibras utilizadas no trabalho, e a documentação também menciona o uso de fibras de bananeira para amarrar as folhas.
O preparo envolve organizar o material e umedecer as fibras para evitar que ressequem. As folhas são reunidas, divididas em partes menores e trabalhadas na montagem e no tecido da vassoura, até o acabamento.
Essas etapas reúnem habilidades sobre os materiais e sobre a firmeza do objeto. Quintais e terreiros podem se tornar espaços de produção, conversa e aprendizagem, em que as pessoas mais experientes mostram às demais como fazer.
Entre o forno, o quintal e os costumes
Na pesquisa, um dos usos destacados é a limpeza dos fornos de biscoito a lenha, retirando cinzas e resíduos antes do preparo dos alimentos. A vassoura também está presente na limpeza das moradias e de outros espaços da comunidade.
O inventário registra ainda sua associação à benzeção de animais e a simpatias para abrir caminhos. Essas referências são apresentadas como costumes e expressões culturais transmitidos na comunidade.
As conversas durante o trabalho ensinam tanto a confecção quanto os usos do objeto. Dessa forma, produzir uma vassoura é também compartilhar histórias, experiências e modos de viver.
Aprender com quem sabe fazer
Eni destaca a participação das mulheres mais velhas no ensino às novas gerações. A aprendizagem acontece dentro das famílias e no convívio entre moradores, pela observação, pela conversa e pela repetição da prática.
O documento aponta como desafios o envelhecimento das pessoas que dominam o saber, a falta de interesse dos jovens, a substituição por produtos industrializados e a redução das oportunidades de comercialização.
Como caminhos para fortalecer a continuidade, recomenda registrar as memórias e as técnicas, valorizar os detentores e promover atividades de demonstração e aprendizagem. O incentivo à divulgação e à comercialização do artesanato também aparece entre as propostas da pesquisa.
Materiais, coleta e objeto
Imagens do arquivo pessoal indicado na ficha e dos envios de Eni. A autoria fotográfica individual e os nomes das pessoas retratadas não estão informados na documentação recebida.




Ficha técnica
- Bem cultural
- Vassoura de coqueirinho do campo, também conhecida como vassourinha de coco
- Categoria
- Saberes · artesanato
- Território
- Comunidade Quilombola de Capivari, Serro, Minas Gerais
- Pesquisa
- Eni Elizabete Marques Ribeiro
- Detentores do saber
- Mulheres e moradores da comunidade, conforme a pesquisa
- Imagens
- Arquivo pessoal indicado na ficha e fotografias enviadas por Eni; autoria fotográfica individual não informada
- Documentação
- Inventário participativo e envios de materiais em outubro de 2026
Fontes deste inventário
- Vassoura de coqueirinho do campo da Comunidade Quilombola de Capivari, ficha de Saberes de Eni Elizabete Marques Ribeiro, 2026.
- Registros de materiais e do objeto incluídos nas páginas 1, 2 e 5 da ficha.
- Fotografias complementares da coleta e da confecção enviadas pela pesquisadora em outubro de 2026.
Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os registros poderão receber complementações e revisões.
