← Voltar ao acervo de inventáriosSaberes · artesanato · Capivari · Serro · MG

Vassouras de coqueirinho
do campo de Capivari

Folhas, fibras e mãos que ensinam: um fazer artesanal ligado à memória das mulheres, aos caminhos de trabalho e ao cotidiano de Capivari.

Mulher sentada no quintal trabalhando fibras vegetais na confecção de uma vassoura
Confecção artesanal em registro enviado com a pesquisa. Acervo da pesquisa de Eni Elizabete Marques Ribeiro.
Pesquisa
Eni Elizabete Marques Ribeiro
Território
Comunidade Quilombola de Capivari · Serro, MG
Registro
Inventário participativo · 2026
O saber inventariado

Uma vassoura que guarda histórias

A vassoura de coqueirinho do campo, também chamada de vassourinha de coco, integra os saberes tradicionais da Comunidade Quilombola de Capivari, no município do Serro. A pesquisa de Eni Elizabete Marques Ribeiro apresenta sua confecção artesanal e os vínculos desse fazer com a vida cotidiana.

Folhas e fibras vegetais se transformam em um objeto usado na limpeza das casas, dos quintais e dos fornos de biscoito a lenha. A escolha dos materiais, o preparo das fibras, a amarração e o tecido da vassoura dependem de conhecimentos aprendidos pela observação e pela prática.

O inventário reconhece nesse objeto uma referência de memória, trabalho e pertencimento. Sua história aproxima o território, as relações entre famílias e o protagonismo das mulheres na transmissão dos saberes.

Mulheres e trabalho

Pelas trilhas, levando o sustento

Segundo a memória reunida na pesquisa, enquanto os homens trabalhavam no garimpo, as mulheres de Capivari confeccionavam vassouras e as levavam a pé para vender em São Gonçalo do Rio das Pedras e Santo Antônio do Itambé.

Os caminhos percorridos eram as antigas trilhas dos tropeiros. As vendas ganhavam importância nas épocas de festas, no Natal e no fim do ano, contribuindo para a compra de roupas e de outros produtos para as famílias.

Não se sabe ao certo quando começou a produção das vassouras na comunidade. A continuidade desse fazer é apresentada pela pesquisadora a partir da aprendizagem entre gerações e das lembranças das viagens, do comércio e do trabalho das mulheres.

Materiais e habilidade

Das folhas ao tecido da vassoura

O processo descrito começa com a escolha e a coleta das folhas do coqueirinho do campo. A casca da embira fornece fibras utilizadas no trabalho, e a documentação também menciona o uso de fibras de bananeira para amarrar as folhas.

O preparo envolve organizar o material e umedecer as fibras para evitar que ressequem. As folhas são reunidas, divididas em partes menores e trabalhadas na montagem e no tecido da vassoura, até o acabamento.

Essas etapas reúnem habilidades sobre os materiais e sobre a firmeza do objeto. Quintais e terreiros podem se tornar espaços de produção, conversa e aprendizagem, em que as pessoas mais experientes mostram às demais como fazer.

Usos e significados

Entre o forno, o quintal e os costumes

Na pesquisa, um dos usos destacados é a limpeza dos fornos de biscoito a lenha, retirando cinzas e resíduos antes do preparo dos alimentos. A vassoura também está presente na limpeza das moradias e de outros espaços da comunidade.

O inventário registra ainda sua associação à benzeção de animais e a simpatias para abrir caminhos. Essas referências são apresentadas como costumes e expressões culturais transmitidos na comunidade.

As conversas durante o trabalho ensinam tanto a confecção quanto os usos do objeto. Dessa forma, produzir uma vassoura é também compartilhar histórias, experiências e modos de viver.

Transmissão e salvaguarda

Aprender com quem sabe fazer

Eni destaca a participação das mulheres mais velhas no ensino às novas gerações. A aprendizagem acontece dentro das famílias e no convívio entre moradores, pela observação, pela conversa e pela repetição da prática.

O documento aponta como desafios o envelhecimento das pessoas que dominam o saber, a falta de interesse dos jovens, a substituição por produtos industrializados e a redução das oportunidades de comercialização.

Como caminhos para fortalecer a continuidade, recomenda registrar as memórias e as técnicas, valorizar os detentores e promover atividades de demonstração e aprendizagem. O incentivo à divulgação e à comercialização do artesanato também aparece entre as propostas da pesquisa.

Registros da pesquisa

Materiais, coleta e objeto

Imagens do arquivo pessoal indicado na ficha e dos envios de Eni. A autoria fotográfica individual e os nomes das pessoas retratadas não estão informados na documentação recebida.

Sobre este registro

Ficha técnica

Bem cultural
Vassoura de coqueirinho do campo, também conhecida como vassourinha de coco
Categoria
Saberes · artesanato
Território
Comunidade Quilombola de Capivari, Serro, Minas Gerais
Pesquisa
Eni Elizabete Marques Ribeiro
Detentores do saber
Mulheres e moradores da comunidade, conforme a pesquisa
Imagens
Arquivo pessoal indicado na ficha e fotografias enviadas por Eni; autoria fotográfica individual não informada
Documentação
Inventário participativo e envios de materiais em outubro de 2026

Fontes deste inventário

  • Vassoura de coqueirinho do campo da Comunidade Quilombola de Capivari, ficha de Saberes de Eni Elizabete Marques Ribeiro, 2026.
  • Registros de materiais e do objeto incluídos nas páginas 1, 2 e 5 da ficha.
  • Fotografias complementares da coleta e da confecção enviadas pela pesquisadora em outubro de 2026.

Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os registros poderão receber complementações e revisões.