← Voltar ao acervo de inventáriosCelebrações · Datas · Minas Gerais

Festa do Divino Espírito Santo de Datas

Bandeiras, cantos e encontros comunitários: uma celebração que aproxima devoção, memória e pertencimento.

Datas · Minas Gerais
Fé que reúne.
Memória que permanece.

Festa do Divino Espírito Santo · Pentecostes
Pesquisa
Ana Lívia dos Santos Silva
Território
Datas, Minas Gerais
Celebração
Anual · período de Pentecostes
Celebração e pertencimento

O Divino na vida de Datas

A Festa do Divino Espírito Santo de Datas reúne devoção, encontro e participação comunitária. Cortejos, cantos, bandeiras e preparativos fazem parte de uma celebração que mobiliza famílias e aproxima diferentes gerações.

A pesquisa de Ana Lívia dos Santos Silva apresenta a festa em sua relação com a memória do município. O inventário articula referências históricas, tradições orais e descrições dos personagens e das práticas que compõem a celebração.

Realizada anualmente no período de Pentecostes, a festa envolve atividades anteriores ao domingo principal. O Setenário, as celebrações religiosas e os encontros na praça marcam o percurso descrito pela pesquisadora.

História e tradição oral

Uma devoção contada de diferentes formas

O inventário relaciona a formação de Datas à mineração, ao comércio, à agricultura e às relações sociais construídas no território. Para esse contexto histórico, a autora utiliza como referência principal o livro Páginas de uma História: Freguesia Datas no século XIX, de Narlisson de Jesus Martins.

A memória oral também ocupa lugar importante. A pesquisa reúne duas versões de uma narrativa sobre uma jovem escravizada e uma pomba, símbolo do Espírito Santo. Em uma, a ave a visitava diariamente; em outra, pousava sobre ela como sinal de sua inocência diante de uma acusação.

Essas versões são apresentadas como tradições orais da comunidade. Seu valor está nas formas de contar e transmitir a relação com o Divino, sem convertê-las em acontecimentos documentalmente comprovados.

Cortejos e visitas

Imperadores, Folieiras e bandeira

O cortejo dos Imperadores é uma das referências da festa. Coroa, cetro, roupas e capas ajudam a caracterizar os personagens e a tornar visível sua participação na celebração.

As Folieiras do Divino Espírito Santo, também chamadas de Pastorinhas no inventário, percorrem as casas cantando e recolhendo contribuições para a Matriz. Levam a Bandeira do Divino, recebida pelas famílias como expressão de bênção e devoção.

As roupas vermelhas e brancas marcam a presença das meninas. Segundo a pesquisa, a participação das Folieiras foi incorporada à festa e é transmitida principalmente de mãe para filha, pela convivência e pela experiência.

A bandeira acompanha diferentes momentos, das visitas às casas ao cortejo e à cavalgada mencionada na documentação. A imagem da pomba também aparece na decoração das ruas e no tapete de serragem preparado junto à Matriz.

Preparativos e sociabilidade

A festa também se faz no encontro

Barraquinhas, leilões e quermesse reúnem alimentos, artesanatos e produtos preparados pelos moradores. Além da arrecadação para a Matriz, são ocasiões de convivência, música e circulação dos saberes locais.

A Alvorada é ligada, nas lembranças recolhidas pela pesquisadora, à chegada de familiares e visitantes de outras localidades. O encontro na praça se transformou em tradição, com café da manhã comunitário e músicas relacionadas ao Pentecostes.

O levantamento do mastro é acompanhado pelas Folieiras e pelos dobrados da Banda Santa Cecília. A documentação mostra que o calendário desses momentos pode mudar entre edições; o inventário registra uma configuração da festa, sem funcionar como programação atual de eventos.

Mudanças e permanências

Renovar os vínculos da celebração

A pesquisa descreve retomadas e adaptações, entre elas a presença da Marujada, dos Caboclinhos e do Boi do Divino após períodos de ausência. As mudanças na programação mostram que a continuidade também envolve reorganizar a festa.

A autora chama atenção para as condições de participação das novas gerações, a transmissão dos conhecimentos e as dificuldades financeiras. Registrar histórias, ouvir moradores e valorizar quem organiza e realiza a celebração estão entre os caminhos apontados para sua preservação.

O patrimônio da festa está nas relações que permitem sua realização: pessoas que cantam, preparam alimentos, costuram roupas, recebem a bandeira e compartilham suas lembranças. É nessa participação que a devoção permanece ligada à vida comunitária.

Sobre este registro

Ficha técnica

Bem cultural
Festa do Divino Espírito Santo de Datas
Categoria
Celebrações · manifestação religiosa e cultural
Território
Datas, Minas Gerais
Pesquisa
Ana Lívia dos Santos Silva
Periodicidade
Anual, no período de Pentecostes
Documentação
Inventário enviado ao projeto em outubro de 2026

Fontes deste inventário

  • Inventário Cultural — Festa do Divino Espírito Santo de Datas – MG, de Ana Lívia dos Santos Silva, enviado ao projeto em 2026.
  • Referência bibliográfica principal indicada pela autora: Páginas de uma História: Freguesia Datas no século XIX, de Narlisson de Jesus Martins.
  • Memórias e tradições orais de moradores, descritas na documentação, sem identificação individual dos depoentes.

Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os relatos refletem o período da pesquisa e poderão receber complementações e revisões. Os registros fotográficos reunidos no documento aguardam complementação dos créditos para inclusão nesta página.