Uma tradição feita em comunidade
Em Santo Antônio do Itambé, as Pastorinhas reúnem canto, dança, representação cênica e religiosidade nas celebrações do Natal. Personagens, figurinos, instrumentos e bandeiras compõem uma apresentação ligada ao nascimento de Jesus e à visita aos presépios. A organização envolve participantes, músicos, familiares e pessoas que ensinam as falas e os cantos.
O inventário elaborado por Marta Lúcia da Conceição Batista Pereira reúne as memórias de Humberto Magno Ramos, conhecido como Professor Humberto, e de Maria Aparecida Gonçalves Baracho, a Cida. Seus relatos mostram diferentes experiências de participação e ajudam a compreender como a manifestação foi aprendida, praticada e retomada no município.
Aprender observando e participando
Humberto conta que conheceu as Pastorinhas ainda criança, acompanhando familiares e moradores. Mais tarde, assumiu funções de orientação e coordenação. As músicas, os movimentos e os personagens eram aprendidos na convivência com pessoas mais experientes e nos ensaios.
Cida registra sua primeira participação em 1969, quando representou a Jardineira. Em seu depoimento, lembra dois cordões, azul e vermelho, identificados por aventais e bandeiras com a imagem do Menino Jesus. Também descreve personagens como flores, camponesas, Cigana, Libertina, Mestra e Contramestra. Cada papel tinha roupas, acessórios, falas ou cantos próprios.
Segundo Cida, os ensaios aconteciam na escola, sob a orientação de pessoas que conheciam a tradição. As famílias ajudavam a confeccionar os figurinos, e a aprendizagem também acontecia em casa: sua mãe havia participado das Pastorinhas e compartilhava lembranças das apresentações. Cida voltou ao grupo como Cigana em 1976 e como camponesa em 2025, além de ter atuado na coordenação em duas ocasiões.
Cantos e lugares de encontro
Os depoimentos associam as apresentações às igrejas, aos presépios, às ruas e às casas dos moradores. Violão, sanfona e pandeiro aparecem na memória de Cida; Humberto menciona também o cavaquinho. Os relatos registram diferentes percursos e experiências das apresentações.
O conjunto documental inclui um repertório escrito de músicas e falas, com indicação dos personagens, que contribui para o registro da memória musical da manifestação.
Manter a tradição em atividade
As dificuldades relatadas incluem recursos financeiros insuficientes, pouco tempo disponível, dificuldade de reunir crianças e jovens e de encontrar instrumentistas. Humberto também menciona interrupções das apresentações, perda de participantes e dificuldades durante a pandemia.
Os documentos propõem ensaios, oficinas, encontros de memória e organização de um arquivo com fotografias, entrevistas e repertório musical. São caminhos sugeridos para apoiar a transmissão e a continuidade das Pastorinhas.
Galeria de imagens
Registro sonoro da pesquisa
Ouça o arquivo enviado por Marta Lúcia junto à documentação das Pastorinhas.
Ficha técnica
- Bem cultural
- Grupo de Pastorinhas de Santo Antônio do Itambé
- Categoria
- Formas de expressão; celebrações e transmissão de saberes
- Elaboração
- Marta Lúcia da Conceição Batista Pereira
- Pesquisa e entrevistas
- Marta Lúcia da Conceição Batista Pereira e Ágatha Iasmim Pereira Batista
- Pessoas entrevistadas
- Humberto Magno Ramos e Maria Aparecida Gonçalves Baracho
- Registros
- A ficha de responsabilidade do inventário credita os registros fotográfico e audiovisual a Ágatha Iasmim Pereira Batista.
- Colaboração
- Comunidade de Santo Antônio do Itambé
- Ano
- 2026
Fontes deste inventário
- Inventário Cultural Participativo do Grupo de Pastorinhas de Santo Antônio do Itambé, elaborado por Marta Lúcia da Conceição Batista Pereira.
- Entrevista com Humberto Magno Ramos, conduzida por Marta Lúcia.
- Depoimento de memória e oralidade de Maria Aparecida Gonçalves Baracho, de 1º de outubro de 2026.
- Fotografias e registro sonoro enviados com a documentação da pesquisa.
Esta apresentação reúne informações dos documentos produzidos na formação do projeto. Os relatos de memória são apresentados a partir das experiências das pessoas participantes. O acervo poderá receber complementações e revisões.



