← Voltar ao acervo de inventáriosSaberes · ofícios da construção · Serro · MG

Saberes da construção
tradicional no Serro

Materiais do território, experiência e aprendizagem entre gerações: os conhecimentos que dão forma às casas e aos modos de habitar.

Edificação de telhado cerâmico e paredes com revestimento parcialmente desprendido, entre árvores
Edificação apresentada no documento como referência para a construção tradicional. Imagem integrante do inventário de Graziele Aparecida de Jesus; autoria fotográfica não informada.
Pesquisa
Graziele Aparecida de Jesus
Território
Serro · Capivari, Serra da Bicha e Serra do Ouro
Registro
Inventário participativo · 2026
O saber inventariado

Construir também é guardar memória

As casas, os casarios e os espaços comunitários guardam mais do que paredes e telhados. A pesquisa de Graziele Aparecida de Jesus apresenta os saberes e ofícios da construção tradicional no município do Serro, com atenção às comunidades quilombolas de Capivari, Serra da Bicha e Serra do Ouro.

O inventário reúne conhecimentos sobre a escolha e o preparo dos materiais, o trabalho dos pedreiros e mestres construtores e a aprendizagem pela convivência. Terra, madeira, pedra e taquara aparecem ligados às condições do território e às necessidades das famílias.

Valorizar esse patrimônio envolve reconhecer tanto as edificações quanto as pessoas que sabem construir, reparar e transmitir o ofício. O saber fazer permanece nas experiências de trabalho e nos modos de habitar.

Recursos e experiência

Barro, madeira, pedra e taquara

Na descrição da pesquisadora, o barro e a terra são usados na fabricação de adobes, no preenchimento de estruturas e em determinados revestimentos. A madeira participa dos telhados, das portas e das janelas, enquanto as pedras podem compor bases e muros.

A taquara se liga a outro trabalho artesanal: a confecção de esteiras para forros. Escolher, preparar e trançar esse material exige conhecimentos que se articulam aos demais ofícios da construção.

As soluções variam entre as edificações. O documento distingue técnicas como pau a pique, adobe e alvenaria de pedra, sem tratar todas as casas como se tivessem sido feitas da mesma maneira.

A observação do solo, da umidade e das características dos materiais orienta as escolhas dos construtores. O preparo e a secagem também se relacionam à experiência transmitida pelos mais velhos e à atenção aos recursos do território.

Detentores do conhecimento

Pessoas que mantêm os ofícios vivos

O inventário cita pedreiros e construtores de diferentes comunidades. Em Capivari, menciona, entre outros, Almir Ribeiro, Renato Ribeiro, Geraldo Ribeiro, Wilson Ribeiro e José Diniz do Nascimento, relacionando seu trabalho à construção e à manutenção dos espaços locais.

Em Serra do Ouro, são citados Marcio Correia dos Santos, Vânio Correia, Valdir Correia, Valter Correia e Emerson Neves. Em Serra da Bicha, a pesquisa destaca seu José de Quinzinho como uma das referências desse conhecimento.

O trabalho com a taquara amplia esse conjunto de ofícios. Graziele menciona seu Fábio e sua família, em Milho Verde, e Nilsa Rosa, em Capivari, pelos saberes ligados à preparação e à confecção de esteiras.

Essas pessoas são apresentadas como referências pela pesquisa. A documentação valoriza sua experiência e a contribuição de diferentes habilidades para a continuidade das formas tradicionais de construir.

Prática e convivência

O trabalho como espaço de aprendizagem

A aprendizagem descrita acontece acompanhando pais, avôs, parentes e outros profissionais. Observar os mais experientes e participar das tarefas permite conhecer as ferramentas, os materiais e as escolhas de cada etapa.

Da preparação da base aos acabamentos, o ofício envolve decisões construídas no trabalho cotidiano. Levantar paredes, montar telhados, instalar portas e janelas e realizar reparos mobiliza habilidades que se aperfeiçoam ao longo do tempo.

Construção e manutenção também sustentam vínculos comunitários e atividades profissionais. Para a pesquisadora, registrar esses conhecimentos ajuda a reconhecer a contribuição dos mestres e trabalhadores para a memória dos lugares.

Transformações e valorização

Preservar as casas e os conhecimentos

O inventário observa mudanças nas formas de construir, com a presença de materiais industrializados e de métodos mais recentes. Essas transformações convivem com conhecimentos tradicionais e podem reduzir o uso de algumas técnicas.

Graziele destaca a importância de ouvir os moradores mais velhos, documentar a experiência dos construtores e incentivar a transmissão às novas gerações. A conservação das edificações se relaciona também à continuidade das habilidades necessárias para cuidar delas.

O reconhecimento dos detentores e a atenção à relação entre materiais, território e modos de vida são caminhos apontados na pesquisa para valorizar esse patrimônio cultural.

Registros do documento

Detalhes do construir

Seleção das imagens reunidas no inventário. O documento não informa autoria fotográfica individual, datas ou identificação específica de cada edificação nesta seleção.

Sobre este registro

Ficha técnica

Título na pesquisa
Saberes e Ofícios da Construção Tradicional
Categoria
Saberes · ofícios da construção
Território
Município do Serro, com destaque para as comunidades quilombolas de Capivari, Serra da Bicha e Serra do Ouro
Pesquisa
Graziele Aparecida de Jesus
Ofícios abordados
Pedreiros, mestres construtores e artesãos que trabalham com taquara e esteiras
Imagens
Reproduzidas do documento; autoria fotográfica individual e datas não informadas
Documentação
Inventário participativo enviado em outubro de 2026

Fontes deste inventário

  • Saberes e Ofícios da Construção Tradicional, ficha de Saberes de Graziele Aparecida de Jesus, 2026.
  • Contextualização territorial, descrições de materiais, etapas de trabalho e pessoas citadas no documento.
  • Registros fotográficos reproduzidos das páginas 6 e 17 da ficha.

Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os registros poderão receber complementações e revisões.