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Memória das parteiras de Capivari

As lembranças de Geralda Ferreira revelam aprendizagem, responsabilidade e solidariedade na história das mulheres da comunidade.

Duas mulheres conversam em um ambiente doméstico, em registro incluído no inventário
Registro de conversa incluído no inventário. Acervo da pesquisa de Milene Ribeiro da Cunha; autoria fotográfica individual e data de captura não indicadas.
Pesquisa
Milene Ribeiro da Cunha
Território
Comunidade Quilombola de Capivari · Serro, MG
Período
Setembro e outubro de 2026
Memória das mulheres

Histórias de cuidado em Capivari

A memória das parteiras de Capivari integra a história das famílias e das redes de solidariedade da comunidade. Mulheres reconhecidas por sua experiência eram procuradas em momentos de necessidade, em um contexto de dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

A pesquisa de Milene Ribeiro da Cunha registra esse saber a partir das lembranças de Geralda Ferreira, também conhecida como Geralda de Carmélia. O relato aproxima a experiência individual da história comunitária e ajuda a compreender como conhecimentos circulavam entre mulheres.

O inventário apresenta uma memória situada: a trajetória de uma moradora, suas referências de aprendizagem e sua percepção das mudanças no território. Outras entrevistas poderão ampliar esse registro e reunir novas vozes sobre a presença das parteiras em Capivari.

Uma trajetória de aprendizagem

Geralda e os ensinamentos de Francisca

Geralda FerreiraGeralda de Carmélia · referência entrevistada

Moradora de Capivari e detentora de diferentes saberes locais, Geralda relembra que aprendeu sobre o trabalho de parteira com Francisca. Não havia parentesco entre elas: a transmissão acontecia na convivência e nas orientações compartilhadas dentro da própria comunidade.

Segundo seu relato, começou a realizar partos por volta dos trinta anos e auxiliou em dois nascimentos. A pesquisa descreve uma atuação ligada a situações de necessidade, sem apresentá-la como uma atividade cotidiana ou uma longa sequência de atendimentos.

Em suas lembranças, o medo e a responsabilidade estavam presentes. A confiança das famílias e a disposição para ajudar faziam parte do lugar ocupado por essas mulheres na vida comunitária.

Redes de solidariedade

Conhecimentos que atravessavam as casas

As parteiras eram conhecidas pelas famílias e reconhecidas por sua experiência. O saber não ficava restrito a um núcleo familiar: podia ser compartilhado com outras mulheres da comunidade, como mostra a relação entre Geralda e Francisca.

A memória registrada menciona outras mulheres lembradas como parteiras ou auxiliares dessa prática. Suas histórias convidam a novas conversas com familiares e moradores, para conhecer trajetórias e esclarecer nomes e experiências.

O significado cultural dessa rede está nas relações entre as pessoas: alguém que ensinava, alguém que aprendia e famílias que reconheciam em suas vizinhas uma referência de apoio. A lembrança das parteiras também permite olhar para as condições de vida e os caminhos percorridos pela comunidade.

Transformações no território

Acesso à saúde e permanência da memória

Geralda associa a importância das parteiras às dificuldades de chegar aos médicos em períodos anteriores. A pesquisa relaciona mudanças nessa atuação à ampliação do acesso aos serviços de saúde e às transformações nas formas de deslocamento e atendimento.

Essas mudanças não apagam a contribuição das mulheres lembradas pela comunidade. Seus relatos ajudam a compreender como as famílias enfrentavam dificuldades e como os modos de cuidado se transformaram ao longo do tempo.

Nesta página, as experiências são apresentadas como memória cultural. Os procedimentos de parto descritos na documentação não são reproduzidos como instruções: a assistência à gestação, ao parto e ao recém-nascido exige acompanhamento profissional de saúde.

Escuta e reconhecimento

Preservar a história de quem ajudou

Geralda considera importante manter registrada a memória das parteiras e a relevância que tiveram para as famílias. Na entrevista, afirma que não transmitiu esse conhecimento a outra pessoa, o que reforça o valor de ouvir e documentar sua trajetória.

A pesquisa recomenda reunir novas entrevistas, fotografias e documentos, valorizar as mulheres que exerceram esse papel e promover conversas com as gerações mais jovens. São propostas de salvaguarda a desenvolver com a comunidade.

Registrar essa história envolve respeitar as pessoas e seus limites de divulgação. A escuta pode reconhecer a contribuição das parteiras e fortalecer a memória coletiva, sem expor situações privadas das famílias atendidas.

Sobre este registro

Ficha técnica

Bem cultural
Saber tradicional das parteiras de Capivari
Categoria
Saberes · memória e tradição oral
Território
Comunidade Quilombola de Capivari, Serro, Minas Gerais
Pesquisa
Milene Ribeiro da Cunha
Referência entrevistada
Geralda Ferreira (Geralda de Carmélia)
Período da pesquisa
Setembro e outubro de 2026, conforme ficha do projeto
Fotografia
Acervo da pesquisa; autoria fotográfica individual e data de captura não indicadas

Fontes deste inventário

  • O saber tradicional da parteira de Capivari: memória, cuidado e resistência, inventário participativo de Milene Ribeiro da Cunha, 2026.
  • Relato de Geralda Ferreira e fichas do projeto, do território, do bem cultural e das fontes, reunidos na documentação da pesquisadora.
  • Registro fotográfico incluído no documento original.

Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os relatos refletem o período da pesquisa e poderão receber complementações e revisões.