Conhecer as plantas, guardar a memória
Na Comunidade Quilombola de Capivari, no Serro, os conhecimentos sobre plantas fazem parte da vida das famílias e da relação cotidiana com o território. Quintais, casas e espaços de convivência aproximam quem ensina, quem observa e quem aprende.
A pesquisa de Taciane Viviane Cunha Nascimento reúne memórias de Geralda Ferreira, Maria Aparecida do Nascimento Cunha e Fábio da Cunha. Seus relatos apresentam trajetórias de aprendizagem e mostram como os saberes circulam nas conversas, nos encontros e na experiência compartilhada.
O inventário considera as plantas medicinais e as garrafadas como referências culturais vinculadas às pessoas que guardam esses conhecimentos. Seu foco está nas histórias, nos lugares e nas formas de transmissão que mantêm essa memória presente na comunidade.
Três trajetórias de aprendizagem
Geralda relata que aprendeu com outras mulheres da comunidade e foi reunindo conhecimentos ao longo da vida. Para ela, compartilhar o que recebeu é uma maneira de servir ao próximo e de valorizar a história de Capivari. Também manifesta vontade de registrar por escrito parte desses saberes.
Maria Aparecida lembra que acompanhava sua mãe e observava como ela reconhecia as plantas. A convivência familiar, as conversas e a presença de pessoas mais velhas foram centrais nesse aprendizado. O quintal continua sendo um espaço de cuidado com as plantas e de lembrança dos ensinamentos recebidos.
Fábio associa seu aprendizado à mãe, Sebastiana da Cunha, referência de saberes e benzeção na documentação. Conta que aprendeu aos poucos, escutando, perguntando e acompanhando o cotidiano. Seu relato destaca que cada família guarda experiências próprias e que o conhecimento é compartilhado por diferentes moradores.
O quintal como lugar de conhecimento
Os quintais são espaços de cultivo e também lugares de memória. Neles, as pessoas acompanham o crescimento das plantas, reconhecem diferenças e recordam o que aprenderam com parentes e vizinhos.
A pesquisa registra o quintal de Dona Sebastiana da Cunha e outras plantas presentes na comunidade. A imagem identificada como malva-rosa, por exemplo, aproxima o olhar da diversidade mantida nos espaços cotidianos. Os nomes das plantas são apresentados conforme a documentação da pesquisadora.
O território participa desse aprendizado: os caminhos, as áreas de vegetação e os lugares de convivência fazem parte das lembranças. Proteger esses espaços e as condições de cultivo também contribui para a continuidade dos conhecimentos associados a eles.
Um saber que circula entre gerações
Nas entrevistas, aprender não aparece como um acontecimento isolado. A pessoa escuta uma história, acompanha alguém mais experiente, faz perguntas e passa a reconhecer referências do território. A oralidade se articula à observação e à experiência.
Os relatos mencionam tanto conhecimentos sobre plantas quanto práticas de benzeção. O inventário distingue essas dimensões, reconhecendo seus vínculos sem tratar todos os saberes como uma única prática.
As garrafadas integram esse universo como modos de fazer associados às trajetórias de seus detentores. O registro público valoriza seu significado cultural, preservando os limites de divulgação dos conhecimentos. Esta apresentação não oferece receitas, dosagens ou indicações de tratamento.
Escutar quem sabe e cuidar dos lugares
Os participantes expressam preocupação com a transmissão aos mais novos. Essa percepção convida a criar oportunidades de escuta e convivência, reconhecendo a contribuição de cada pessoa para a memória comunitária.
A pesquisa recomenda valorizar os detentores, conservar os quintais e os ambientes onde as plantas estão presentes e fortalecer registros construídos com a comunidade. Essas propostas dependem da participação e das escolhas de quem mantém os saberes.
Nas falas reunidas, o acesso aos serviços de saúde e a valorização cultural dos conhecimentos tradicionais têm importância própria. A página apresenta memórias e práticas culturais; elas não substituem o atendimento profissional de saúde.
Pessoas e plantas de Capivari




Ficha técnica
- Bem cultural
- Saberes e práticas tradicionais de cuidado com plantas medicinais no Quilombo Capivari
- Categoria
- Saberes · tradição oral · modos de vida
- Território
- Comunidade Quilombola de Capivari, Serro, Minas Gerais
- Pesquisa e fotografias
- Taciane Viviane Cunha Nascimento
- Participantes ouvidos
- Geralda Ferreira, Maria Aparecida do Nascimento Cunha e Fábio da Cunha
- Período da pesquisa
- 16 de julho a 5 de outubro de 2026, conforme ficha do projeto
- Fotografias selecionadas
- Setembro de 2026, conforme créditos do documento
Fontes deste inventário
- Inventário Participativo dos Saberes e Práticas Tradicionais de Cuidado com Plantas Medicinais no Quilombo Capivari, Taciane Viviane Cunha Nascimento, 2026.
- Fichas do território e do bem cultural, relatório de imagens e entrevistas com Geralda Ferreira, Maria Aparecida do Nascimento Cunha e Fábio da Cunha, reunidos no documento.
- Fotografias das páginas 19, 40, 43, 49 e 54, creditadas à pesquisadora.
Apresentação organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os relatos refletem o período da pesquisa e poderão receber complementações e revisões.
