← Voltar ao acervo de inventáriosFormas de expressão · benzeção · Capivari · Serro · MG

Benzedeiras
de Capivari

Palavras, gestos e conhecimentos recebidos em família: trajetórias de mulheres que mantêm viva uma referência cultural da comunidade.

Terezinha Nascimento Ribeiro em retrato incluído na pesquisa
Terezinha Nascimento Ribeiro. Fotografia: Eva Ribeiro, 21/08/2026, conforme a ficha.
Pesquisa
Eva da Conceição Jesus Ribeiro
Território
Comunidade Quilombola de Capivari · Serro, MG
Registro
Inventário participativo · 15/09 a 07/10/2026
O saber inventariado

Guardiãs da fé e da memória

Em Capivari, no município do Serro, a benzeção integra a memória e o cotidiano comunitário. O inventário de Eva da Conceição Jesus Ribeiro apresenta esse saber por meio de experiências de aprendizagem, orações, gestos e relações de confiança.

Intitulada Benzedeiras de Capivari: Guardiãs da Fé, da Memória e dos Saberes Tradicionais, a pesquisa reúne referências sobre a prática e entrevistas com mulheres reconhecidas como benzedeiras.

A documentação valoriza a benzeção como uma expressão cultural ligada à fé, à solidariedade e à transmissão de conhecimentos entre gerações. Escutar suas detentoras permite conhecer as pessoas e os vínculos que mantêm essa memória presente.

Pessoas e aprendizagem

Conhecimentos recebidos de outras gerações

Maria Gorete Ribeiro NascimentoBenzedeira apresentada na pesquisa

Maria Gorete relata ter aprendido a benzer por volta dos doze anos com a avó Francisca, Maria Francisca Marques. Em sua entrevista, destaca a continuidade dos ensinamentos recebidos dos antepassados.

Para ela, cada pessoa guarda uma forma de benzer relacionada ao que aprendeu. A transmissão às pessoas mais novas aparece como uma preocupação para que a tradição permaneça.

Enilce Ribeiro CunhaBenzedeira apresentada na pesquisa

Enilce conta que começou a aprender aproximadamente aos doze anos. Cita a mãe, Miriam, e Antônio Amém como referências desse aprendizado.

Seu relato também relaciona a prática aos ensinamentos dos antepassados e reconhece diferenças entre as formas de benzer. Incentivar os jovens a aprender é um dos caminhos que aponta para a continuidade.

Terezinha Nascimento RibeiroBenzedeira apresentada na pesquisa

Terezinha lembra ter aprendido por volta dos quinze anos com a mãe, Judite, a tia Estulana e uma professora chamada Solange, que lecionava na comunidade.

Em sua experiência, as palavras e os gestos se articulam à fé e aos conhecimentos recebidos de outras pessoas. A aprendizagem, a vontade de continuar e o significado espiritual da prática ocupam lugar central em seu depoimento.

Palavras e gestos

Um saber transmitido na convivência

As orações e rezas são apresentadas por Eva como elementos centrais da oralidade. Aprendidas na convivência, elas participam da memória das famílias e das relações entre quem ensina e quem aprende.

Os gestos, como o sinal da cruz, também compõem as formas de expressão descritas na pesquisa. Plantas e objetos podem estar presentes, conforme os conhecimentos e os costumes de cada benzedeira.

O inventário ressalta que não há uma única sequência seguida por todas. Os modos de realizar a benzeção variam conforme os ensinamentos recebidos e a experiência de cada pessoa.

Cotidiano e vínculos

Confiança, acolhimento e pertencimento

A benzeção é descrita como uma prática presente ao longo do ano, sem depender de uma festa ou de uma data comemorativa. Pode acontecer nas casas e em outros espaços tranquilos da comunidade.

Para as participantes, a prática tem sentidos de fé, proteção e acolhimento. O inventário relaciona esses significados à confiança entre as pessoas e à solidariedade nos vínculos comunitários.

Registrar esse saber é também reconhecer trajetórias de mulheres que guardam lembranças, palavras e gestos aprendidos com outras gerações. Sua importância cultural está nas pessoas, nas relações e nos modos de transmitir a memória.

Memória e salvaguarda

Transmitir com respeito às detentoras

Eva destaca que a continuidade da benzeção depende da convivência entre as gerações e da valorização de quem possui o conhecimento. O afastamento dos jovens para estudar ou trabalhar e a perda de oportunidades de encontro são desafios apontados na pesquisa.

O documento recomenda rodas de conversa, encontros comunitários e atividades educativas, além de entrevistas e registros que contem com a autorização das pessoas envolvidas.

Essas ações devem respeitar a vontade das benzedeiras e sua decisão sobre o que pode ser compartilhado publicamente. A transmissão cultural se fortalece quando as próprias detentoras participam das escolhas sobre o registro e a divulgação.

Registros da pesquisa

Retratos e referências

Sobre este registro

Ficha técnica

Título na pesquisa
Benzedeiras de Capivari: Guardiãs da Fé, da Memória e dos Saberes Tradicionais
Categoria
Formas de expressão · benzeção
Território
Comunidade Quilombola de Capivari, Serro, Minas Gerais
Pesquisa
Eva da Conceição Jesus Ribeiro
Entrevistas apresentadas
Maria Gorete Ribeiro Nascimento, Enilce Ribeiro Cunha e Terezinha Nascimento Ribeiro
Período da pesquisa
15 de setembro a 7 de outubro de 2026
Fotografias
Eva da Conceição Jesus Ribeiro; retrato de Enilce com crédito a Enilce Ribeiro Nascimento na ficha
Datas das imagens
12/01/2026, 21/08/2026 e 20/09/2026, conforme a documentação

Fontes deste inventário

  • Benzedeiras de Capivari: Guardiãs da Fé, da Memória e dos Saberes Tradicionais, inventário participativo de Eva da Conceição Jesus Ribeiro, 2026.
  • Ficha de Formas de Expressão e entrevistas com Maria Gorete, Enilce e Terezinha, incluídas no documento.
  • Retratos das participantes e relatório de imagens da pesquisa.

Apresentação cultural organizada a partir da documentação produzida na formação do projeto. Os relatos expressam experiências e crenças das participantes e poderão receber complementações e revisões.